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Promoção – O Silmarillion

A bem da verdade era para eu ter lançado uma promoção no mês de aniversário do blog, mas, como estava às voltas com minha monografia, fiquei receoso de que não desse conta do recado e algo saísse errado, então somente agora darei o primeiro presente aos leitores aqui do blog.

Promoção

Para presentear meus queridos e inteligentes leitores, escolhi um livro de um de meus autores preferidos, JRR Tolkien, criador de toda a mitologia da Terra Média. Nada mais justo que dar de presente O Silmarillion, livro que narra muitas das lendas que foram vistas na trilogia do anel.
“O Silmarillion, publicado quatro anos após o falecimento de seu autor, é um relato dos Dias Antigos, a Primeira Era do Mundo. Em O Senhor dos Anéis, foram narrados os grandes eventos do final da Terceira Era; as histórias de O Silmarillion, no entanto, são lendas derivadas de um passado muito mais remoto, quando Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, habitava a Terra-média, e os altos elfos guerrearam com ele pela recuperação das Silmarils.”
É verdade que O Silmarillion está sendo vendido baratinho no Submarino, mas o presente, acreditem, é de coração. E para concorrer é muito simples, basta atender aos requisitos a seguir:
  1. Receber as atualizações do blog via e-mail – se ainda não recebe, insira seu e-mail no box “Receba no seu e-mail” ao lado e confirme sua inscrição;
  2. Deixar um comentário neste post até o dia 28 de fevereiro dizendo que quer participar.

O sorteio será realizado utilizando o site Random.org no dia 1º de março, e funcionará da seguinte forma: cada comentário de uma mesma pessoa ganhará um número de participação, assim, o primeiro a comentar será o nº1, o segundo o nº 2, e por aí vai. No mesmo dia entrarei em contato com o ganhador, que não terá nenhuma despesa com o envio do livro.

É importante destacar que:
  1. A postagem do comentário dizendo que “quer participar do sorteio” é sinal inequívoco de que está de acordo com as regras da promoção;
  2. A divulgação do resultado será feita no dia 2 de março, neste blog;
  3. Que o sorteado deverá fornecer um endereço de entrega em até 7 dias a contar da data do sorteio, caso contrário ocorrerá novo sorteio.
Aqueles que possuírem um blog e colaborarem divulgando o banner da promoção na sidebar do mesmo, ganhará mais 2 números para o sorteio, bastando deixar um comentário neste post avisando que está divulgando o banner.

::Copie o código referente ao banner no box correspondente e cole na sidebar do blog::

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Os números extras para aqueles que colaborarem divulgando a promoção em um blog serão contados a partir do último número que se refira a um comentário de participação, e obedecerão a ordem de confirmação da divulgação.

Parece complicado mas não é. Por exemplo, se tivermos 50 participações por e-mail, e 1 divulgação em um blog, teremos cupons de 1 a 50 para os assinantes via e-mail, e de 51 a 52 para os que fizerem divulgação.

Muito obrigado a quem participar, e boa sorte a todos!

UPDATE: Para simplificar, indicarei também nos comentários o número de cada um.

O Churchill de cá

Se existe uma regra no mercado é a de que um grande sucesso ofusca a concorrência. É como se você tentasse ver um pássaro que passa voando em frente ao sol.

E o mundo está repleto de exemplos que mostram como o mercado é ingrato: todo o mundo reverencia Michael Jackson desde os anos 70, mas quem ainda se lembra de Billy Ocean? Quantos livros você já leu de Charles Dickens? E de Thackeray? E quanto tempo você leva para se lembrar de um contemporâneo de Shakespeare? Um grande nome faz com que, inevitavelmente, esqueçamos de outro. A própria filha de Thackeray sugeriu ao pai que escrevesse como o Sr. Dickens!

Mas, se as coisas já ficam difíceis quando um alcança maior notoriedade que o outro, o que dizer quando possuem o mesmo nome e sobrenome? Isto se deu com Winston Churchill, o estadista britânico, e Winston Churchill, o escritor norte-americano.

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Winston Churchill, novelista norte-americano.

No artigo A Tale of Two Winstons, publicado no The Book Bench – se ainda não lê não sabe o que está perdendo – discute-se como duas pessoas com o mesmo nome, contemporâneos e notórios acabaram da forma como acabaram, um “um titã da história contemporânea - o primeiro-ministro na hora mais escura da Inglaterra - enquanto o outro continua a ser pouco mais do que uma de suas notas de rodapé.” [1]

Tudo começou com o sucesso do livro The Crisis, do Churchill de cá, que até hoje, estima-se, vendeu cerca de 1,2 milhões de exemplares, e que chegou a ser creditado como do estadista britânico – o Churchill de lá –sendo que, segundo Warren Hollrah [1], mesmo nos dias de hoje o engano ocorre em sites de grandes livrarias, como a Amazon, que atribuem ao britânico obras do americano. O Churchill de lá chegou a profetizar para o de cá que havia o risco de que as obras deste, no futuro, fossem atribuídas àquele, em muitas das cartas que trocaram entre si.

O interessante é que, apesar de, no campo das artes, o Churchill americano ter alcançado um sucesso estrondosamente maior [UPDATE: conforme se pode ver no comentário da Luma logo abaixo, o Churchill britânico ganhou o Nobel de Literatura em 1953, então devo afirmar que o Churchill americano fez um sucesso estrondoso de público, mas o britânio levou o Nobel. Ao que parece, o Churchill de cá parou de escrever na mesma época em que o de lá começou a ganhar notoriedade, o que pode ter contribuído para seu esquecimento], o Churchill britânico é o mais lembrado.

Não vou entrar no mérito de discutir o que é mais importante, a política ou a literatura, até por quê minha escolha seria um tanto quanto óbvia, e como este blog não fala de política, o que me importa é o Churchill de cá, que a história tratou de jogar no fundo do mais fundo e esquecido baú, mesmo vendendo milhões de livros no século retrasado .
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Mais sobre a relação dos dois Churchills no post original do The Book Bench, e no Folton Sun [1].

As Crônicas de Nárnia – O Sobrinho do Mago

O Sobrinho do Mago,  é o sexto e penúltimo livro da série, seguindo-se a ordem de publicação, porém é o primeiro na ordem cronológica [1] , e foi lançado originalmente em 1955.

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Na verdade estou lendo a edição de volume único, publicada pela Martins Fontes, que segue a ordem cronológica dos livros, o que tanto pode ser uma maravilha quanto um grande problema. Pessoalmente, preferiria que tivessem respeitado a ordem de publicação dos mesmos, pois se seguimos cronologicamente, apesar de facilitar bastante o entendimento, nos priva de algumas surpresas e questionamentos, como, por exemplo, a inevitável pergunta sobre como ou de onde Nárnia surgiu. Neste caso, temos a resposta logo no primeiro livro.

No entanto, isso pode ser considerado um mero detalhe e não ofusca a grandiosidade que Nárnia tem. É preciso deixar claro que, ao menos para mim, não devemos compará-la a O Senhor dos Anéis, pois desde o começo da leitura percebe-se que a obra de Lewis foca em um público mais jovem, que busca uma leitura mais descompromissada, sem a avalanche de detalhes que a famosa trilogia possui, em grande parte porque Lewis não possui o dom de guia turístico que Tolkien possuía – e não me apedrejem, isso foi um elogio! – o que o permitia escrever páginas e páginas de descrições de paisagens de tirar o fôlego.

Voltando ao livro, O Sobrinho do Mago conta como Nárnia foi criada, quem é Aslam e como os filhos de Adão e as filhas de Eva foram parar lá. Também vemos qual a origem da feiticeira, e ficamos sabendo que o mal existiu desde os primórdios daquela terra, cabendo a quem o causou tratar de expurgá-lo, pois a vida não é fácil nem mesmo nos reinos de fantasia.

Nárnia traz uma leitura fácil, empolgante, e nos leva em uma viajem a um mundo rico em vida e fantasia. Veremos onde O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa vai me levar.

[1] Wikipédia.pt

O 3º Travesseiro

O Terceiro Travesseiro conta a história de dois amigos que são apenas amigos até que um deles resolve se declarar ao outro. A partir daí temos nuances de novela mexicana com sonhos adolescentes e duvidoso gosto culinário.

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Tomei conhecimento da existência do livro através deste post do O Que Elas Estão Lendo, intrigado resolvi ler.

Escrito por Nelson Luiz de Carvalho, o livro navega em mares de superficialidade, e, por muitas e muitas vezes, naufraga. Tudo soa irreal, parece um sonho adolescente – gay. E talvez seja. Nada convence ou faz sentido, o que só piora com a chegada do terceiro travesseiro, leia-se uma garota numa relação homossexual, que transa com ambos, que também transam com ambos e assim vai. É o sistema um por todos e todos por um.

Por mais que possa parecer preconceituoso, velhaco, quadrado ou sei lá o  quê, não consigo digerir, e nem acredito que as coisas aconteçam daquela forma. Lembram quando disse que era uma “novela mexicana com sonhos adolescentes”? Pois é: no decorrer da história vemos a viagem paga pelo pai de um deles, um relógio caríssimo e o papo cabeça com um primo. – Não, o primo não entra “no esquema”.

Isso porque pouparei vocês dos dotes culinários apesentado pelos dois!

O livro, se escrito de maneira diferente, poderia ter suscitado um debate saudável sobre aceitação da homossexualidade tanto pela família quanto pela sociedade, sem esquecer dos maiores e mais interessados envolvidos nisso tudo – os adolescentes homossexuais representados pelos dois. Porém o autor optou por chocar, e, definitivamente, não acho que tenha sido o melhor caminho para atrair atenção – apesar de ter vendido muito, mas aqui entramos naquela da relação entre sucesso de público e qualidade, sobre a qual falei aqui.

O que poderia ser uma bela historia de amor, foi reduzida a um livro pseudo-pornô metido a romance. O final pode te emocionar, mas o amor é tão frívolo, e Marcus, um dos personagens, tão fraco, que senti vontade de arremessá-lo na parede.

Pra finalizar, se querem boa literatura com temática homossexual, leiam O Diário do Farol, de Ubaldo, ou Bom Crioulo, de Caminha.

Terminei de ler...E agora?

Se existe um problema com os livros é que eles acabam.

E quando isso acontece - e sabemos que sempre , cedo ou tarde, acontece -  nos restam poucas opções, sobre o que fazer com eles, dentre elas, deixar o pobre pegando poeira na estante, doá-lo, emprestá-lo, ou lê-lo novamente.




Pensando nisso, Bruce McCall escreveu o livro “Fifty Things to do with a Book (Now that Reading Is Dead)", no meu bom e velho inglês de rpg: 50 Coisas para se fazer com um livro (Agora que a leitura está morta/terminou). Nele ele dá dicas do que se fazer com um livro quando se termina a leitura, o que cômicamente elimina o dilema que propus acima: o que fazer quando se termina um livro?

Segundo ele você pode:



Fazer um tapete para seu hamster triturando seus livros sobre economia doméstica com aparelhos de cozinha industrial,



Exercitar seus conhecimentos sobre geometria usando uma serra elétrica e os livros do escritor (McCall)




E praticar tiro ao alvo com os livros sobre valores familiares.

Concordo. É pura maldade.

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Mrs. Bush, Clinton e os Karamazov

Considerado uma das maiores obras literárias de todos os tempos, Os Irmãos Karamázov foi escrito por Dostoiévski em 1879. Trata-se de uma narração pormenorizada dos fatos ocorridos numa afastada cidade russa, e gira em torno de um caso de parricídio ocorrido na família. Para Freud, trata-se da “maior obra da história". Ele considerava esse romance, juntamente com Édipo Rei e Hamlet, três importantes livros a respeito do embate pai e filho.



Duas ex primeiras-damas americanas concordam com o mestre da psicanálise.

Em 2001, o The New York Times relatou que a passagem literária favorita de Laura Bush era o "Grande Inquisidor" do romance Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski. “No diálogo com o Inquisidor, Jesus permanece em silêncio, e o capítulo tem dois finais, o primeiro trágico, e o segundo com a vitória para o cristianismo. […] É sobre a vida, e é sobre a morte, e é sobre Cristo," ela disse.
 
Esta semana, Hillary Clinton revelou que o seu favorito também é "Os Irmãos Karamazov." Para ela, o capítulo [d’O Inquisidor] foi uma prova da força da dúvida, não da certeza:  “A parábola do Grande Inquisidor no romance de Dostoievski,” disse ela, “fala sobre os perigos da certeza. […]  Uma das maiores ameaças que enfrentamos é o de pessoas que acreditam que  são absolutas, e que têm razão em tudo."

aspas Será que não pensaste que ele (o Homem) acabaria questionando e renegando até tua imagem e tua verdade se o oprimissem com um fardo tão terrível como o livre arbítrio?
-Trecho de Os Irmãos Karamazov

E Michelle? Será que também lê Dostoiévski?
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Fonte: The Former First Lady As A Literary Device, no The Book Bench.

Agatha Christie

Hoje, além de se comemorar o dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, também se comemora o aniversário de um dos maiores escritores de nosso país, Fernando Sabino.  Não por acaso, a Vanessa, do Fio de Ariadne, propôs uma blogagem coletiva na qual cada um escreveria um pouco sobre seu autor preferido. Mentalmente, tive que fazer uma pequena lista, na qual grandes nomes figuraram, para decidir sobre quem deveria escrever, uma vez que vários autores me cativaram de alguma forma e seriam merecedores da homenagem, então demorou um pouco até que decidisse por Agatha Christie.

 

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“Nascida Agatha Mary Clarissa Miller em 15 de Setembro de 1890, Agatha Christie é conhecida pelo mundo como a Rainha do Crime. Os seus livros venderam mais de um bilhão de cópias em inglês, além de outro bilhão em línguas estrangeiras. Autora de oitenta romances policiais e coleções de pequenas histórias, dezenove peças e seis romances escritos sob o nome de Mary Westmacott. Agatha foi pioneira ao fazer com que os desfechos de seus livros fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino. (…) Em 1971 recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico. Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos de idade, de causas naturais, em sua residência - Winterbrook, em Wallingford, Oxfordshire”. Wikipédia.pt

 

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Foi estranho o modo como conheci Agatha Christie. Estava escolhendo um livro na biblioteca da escola – ou muito me engano ou devia ser o ano de 98 – e me deparei com “Sócios no Crime”. Não sei explicar direito, mas às vezes tenho a impressão de ter, de antemão, conhecimento de algo que ainda não conheço. Confuso? É sim, mas já aconteceu algumas vezes, e sempre com algo que depois passei a admirar ou gostar muito: Bob Dylan, Júlio Verne, Agatha Christie, entre outros. É como se esses nomes ou coisas fossem tão fortes e presentes que sempre tive ciência de suas existências. Mas não importa – ao menos não agora.

 

Acabei levando Sócios do Crime para casa e o li em dois dias. Depois me tornei um leitor compulsivo, e não demorou muito para esgotar todas as possibilidades que tinha na pequena biblioteca da escola, tendo como companheiros de toda tarde Tommy e Tupence Beresford, Miss Marple e Poirot, saboreando suas aventuras no aconchego do meu quarto.

 

Nenhum livro me impressionou tanto quanto O Caso dos Dez Negrinhos – que se chamava assim na época que o li, mas me parece que mudaram seu título por alguns o considerarem politicamente incorreto. Juro que, enquanto o lia, mudei minha cama para o canto do quarto e passei a dormir com as costas na parede e de olho na porta. Normal, se se considerar que todo mundo no livro começou a morrer e nem sinal do assassino. Sem dúvida é meu livro preferido de Agatha Christie, e o efeito que teve sobre mim se manteve o mesmo nas segunda e terceira leitura.

 

Por falar nisso, se os livro de Christie possuem um problema é o do replay. Como todo livro de suspense e/ou policial o prazer da segunda leitura é quase que completamente minado pela eliminação do fator surpresa. Saber o desfecho de antemão não torna uma obra pior, mas faz com que se perca um pouco do sabor que somente os livros deste gênero tem. Atribuem a Eugênio Mohallem a seguinte frase: “No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. É por isso que Agatha Christie não vende nada por lá”. A grosso modo faz sentido, até se se considerar que uma segunda leitura sempre começa pelo término de uma primeira. Mesmo assim reli quase tudo de Agatha Christie que me passou pelas mãos, e mesmo já sabendo o final e tudo o que aconteceria, saboreei cada página, cada momento de suspense e cada clímax antes da revelação final.

 

Calculo que tudo que li não corresponde nem a 40% do que a autora escreveu – cerca de 100 livros – portanto minha dívida é grande. Mas sempre é tempo de por as células cinzentas para funcionar e acompanhar uma obra da Rainha do Crime. E, claro, se surpreender.

Sobre o Nobel de Literatura

Herta Mueller foi a ganhadora do Nobel de Literatura deste ano. Ao saber da notícia, fiz a mim mesmo uma pergunta que muitos devem ter, intimamente, se feito: Quem?? Até mesmo publiquei no Bazar um post sobre isso, ao qual a Elaine – do Profe Elaine – me respondeu, via Twitter, que “Herta Mueller é conhecida por obras como Terra de Ameixas Verdes dedicada a amigos romenos mortos no governo de Ceausescu”.


Isso me alertou que estava torcendo o nariz antes de provar o xarope, e me fez pensar sobre quais critérios são levados em consideração para se definir um ganhador do prêmio Nobel, uma vez que ano a ano somos surpreendidos, salvo algumas exceções, com um nome que não fazemos idéia de quem seja.
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Herta Müller (Nitchidorf, Timis, 17 de agosto de 1953) é uma escritora, poetisa e ensaísta alemã nascida na Romênia. Destaca-se pelos seus relatos acerca das duríssimas condições de vida na Roménia sob o regime político comunista de  Nicolae Ceauşescu. Foi casada com o escritor Richard Wagner. Foi galardoada com o Nobel de Literatura de 2009 por "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados”. Wikipédia
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Nem precisei pensar muito sobre o assunto e uma bem vinda luz surgiu sobre o caso. O USA Today publicou uma excelente reportagem em sua versão online intitulada “Nobel literature prize goes to little-known European writer” (Prêmio Nobel de Literatura vai para uma pouco conhecida escritora européia, numa tradução livre e num inglês de rpg). Nele, questionam os critérios de seleção da Academia Sueca, dizendo que, como apontou um membro da mesma na última terça-feira “a comissão pode ser bem eurocêntrica”. No ano passado, “’o então secretário permanente Horace Engdahl declarou sem rodeios que os europeus tendem a ganhar porque eles merecem a vitória, especialmente em relação aos americanos’, a quem Engdahl rejeitou como ‘muito sensíveis à evolução da sua própria cultura de massa’".  O secretário permanente da academia Peter Englund chegou mesmo a reconhecer que os membros da academia se “relacionam mais facilmente a literatura escrita na Europa e na tradição européia”. Triste.

Chad Post, diretor da Open Letter Books, diz que “em um determinado ano, pode-se chegar a uma lista de 10-20 escritores de todo o mundo que são merecedores do prêmio, mas, em seguida, ele tende a ir para alguém de que ninguém está mesmo falando", o que mostra que ter um nome bem estabelecido no cenário não é fator determinante para uma eventual eleção.

Para o jornal, a escolha de Mueller faz sentido por estar “de acordo com um objetivo declarado por Engdahl ano passado, mas executada esporadicamente: ‘O objetivo do prêmio é torná-los famosos", disse ele, ‘isso quando eles já não são famosos.’" Porém, se este objetivo tem a ver com vendas, ele não está sendo atingido em sua totalidade, pois nem todos os ganhadores passaram a vender mais – comparativamente à publicidade gerada por um Nobel – depois de declarados vencedores, e muitos dos menos conhecidos vencedores estão atualmente com boa parte das obras – traduzidas para o inglês – fora de catálogo, como é o caso de Mueller.

Mas as polêmicas devem ser deixadas de lado. Não se pode menosprezar a obra de Mueller e o prêmio que recebeu apenas pelo fato de ela não vender como Dan Brown. Acredito piamente que qualidade nada tem a ver com popularidade.

Se Mueller mereceu o Nobel, e os US$ 1,4 milhões quem vêm com ele, cabe a cada um de seus leitores dizer. Se não é um leitor, como eu, o melhor é deixar os preconceitos de lado e procurar ler algo dela. É o que vou fazer.

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O post original: Nobel literature prize goes to little-known European writer - By Hillel Italie, AP National Writer

O Melhor do Mundo

Ontem me lembrei de um livro que terminei de ler faz um bom tempo. É incrível como você descobre um clássico todo seu nas obras pelas quais você apostaria que, se muito, lhe trariam alguns dias de parco entretenimento.

Foi assim com Réquiem em L.A. Recordando suas páginas, percebo que passei a admirar Elvis Cole, ou "O Melhor do Mundo", como ele prefere ser chamado. Ponto para Robert Crais, seu criador, tido como o novo Raymond Chandler. Pessoalmente acho estas comparações ridículas, já devem existir meia centena de novos Raymond Chandlers por aí.

Elvis Cole é um filho da mãe convencido ao mesmo tempo em que é o cara mais legal do planeta. E me fez perceber sua grandeza dizendo que "Vale a pena chorar pelo coração humano, mesmo que de ônix".

Faz mais sentido lendo o livro. Escreverei a respeito dele em breve.

Mais que mil palavras

  Com toda a certeza você já deve ter ouvido este ditado: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. E muitas vezes valem mesmo.


O site da revista The New Yorker tem um blog chamado The Book Bench, que publica artigos sobre livros e vida literária. Dentre os ótimos artigos publicados, destaco agora aqueles que “carregam” o marcador 1,000 Words, que, como o próprio nome já diz, remetem ao famoso ditado popular.


Abaixo as que achei mais interessantes.


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Via The Book Bench | The New Yorker

Livros mais vendidos – The NY Times 29/08

Foi publicada hoje as listas dos livros mais vendidos referente referente às vendas na semana. As listas se mantém quase as mesmas da anterior, com pequenas mudanças, como um novo nº 1 em Ficção Paperback Mass-Market Fiction, e o retorno ao topo da lista de Auto-Ajuda do bestseller What to Expect When You’re Expecting, de Heidi Murkoff e Sharon Mazel, há 425 semanas na lista.

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Posição. Título - Autor [Posição na semana anterior]

 

Top 10 – Ficção (Paperback Trade Fiction)

  1. The Time Traveler’s Wife – Audrey Niffenegger [ 1 ]
  2. The Shack – William P. Young [ 2 ]
  3. The Girl With the Dragon Tatoo – Stieg Larsson [ 3 ]
  4. The Guernsey Literary and Potato Pell Pie Society – Mary Ann Barrows [ 6 ]
  5. The Weight of Silence – Heather Gudenkauf [ 4 ]
  6. The Art of Racing in the Rain – Garth Stein [ 5 ]
  7. The Lucky One – Nicholas Sparks [ 8 ]
  8. Olive Kitteridge – Elizabeth Strout [ 7 ]
  9. Pride and Prejudice and Zombies – Jane Austen and Seth Grahame-Smith [ 9 ]
  10. The Lovely Bones – Alice Sebold

Top 10 – Ficção (Paperback Mass-Market Fiction)

  1. The Brass Verdict – Michael Connelly [ Novo ]
  2. The Quickie – James Patterson e Michael Ledwige [ 1 ]
  3. Dead Until Dark – Charlaine Harris [ 3 ]
  4. Dean Koontz’s Frankenstein: Dead and Alive – Dean Koontz [ 2 ]
  5. From Dead To Worse – Charlaine Harris [ 5 ]
  6. Smoke Screen – Sandra Brown [ 4 ]
  7. Club Dead – Charlaine Harris [ 8 ]
  8. My Sister’s Keeper – Jodi Picoult [ 7 ]
  9. The Boddies Left Behind – Jeffery Deaver [ Novo ]
  10. Dead to the World – Charlaine Harris

Top 10 Não-ficção (Paperback Nonfiction)

  1. My Life in France – Julia Child e Alex Prud’homme [ 3 ]
  2. Glenn Beck’s ‘Common Sense’ – Glenn Beck [ 1 ]
  3. Julie & Julia – Julie Powell [ 2 ]
  4. Three Cups of Tea – Greg Mortenson [ 4 ]
  5. The Family – Jeff Sharlet [ 5 ]
  6. I Hope They Serve Beer in Hell – Tucker Max [ 6 ]
  7. Blink – Malcolm Gladwell [ 9 ]
  8. The Tipping Point – Malcolm Gladwell [ 7 ]
  9. When You Are Engulfes in Flames – David Sedaris [ 8 ]
  10. Eat, Pray, Love – Elizabeth Gilbert

Top 10 – Auto-ajuda (Paperback Advice)

  1. What to Expect When You’re Expecting – Heidi Murkoff e Sharon Mazel [ 2 ] (425 semanas na lista)
  2. The Five Love Languages – Gary Chapman [ 3 ]
  3. Diners, Drive-ins ans Dives – Gary Chapman
  4. The Love Dare – Stephen e Alex Kendrick [ 4 ]
  5. Julia’s Kitchen Wisdom – Julia Child [ 1 ]
  6. Hungry Girl 200 Under 200 – Lisa Lillien [ 5 ]
  7. Skinny Bitch – Rory Freedman e Kim Barnouin [ 6 ]
  8. Become a Better You – Joel Osteen [ 7 ]
  9. Cook Yourself Thin – Staff of Lifetime TV [ 8 ]
  10. America’s Most Wanted Recipes – Ron Douglas [ 10 ]

Fonte: The New York Times Best Sellers – 29/08/2009

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As diferenças entre os livros Trade e Mass-market (mercado de massa, numa tradução livre)não são claras para a maioria das pessoas. Neste artigo, tenta-se lançar luz à discussão. Segundo ele, a diferença entre as versões estão no publico alvo: a versão trade tem dimensões maiores, melhor acabamento e preço mais salgado que a versão mass-market. Simples assim.

Livros mais vendidos – USA Today 23/08

Com quase uma semana de atraso, publico hoje o Top 10 da lista dos mais vendidos do jornal americano USA Today. Como se vê, Stephenie Meyer dominou a lista com sua série Crepúsculo – da qual ainda não li nenhum volume – com 4 livros entre os 10 mais vendidos.

 

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Posição. Título - Autor [Posição na semana anterior]

 

  1. The Time Traveler’s Wife – Audrey Niffeneger [ 1 ]
  2. Eclipse (Eclipse)– Stephenie Meyer [ 3 ]
  3. New Moon (Lua Nova)– Stephenie Meyer [ 4 ]
  4. South of Broad – Pat Conroy [ 2 ]
  5. Breaking Down (Amanhecer) – Stephenie Meyer [ Novo ]
  6. Twilight (Crepúsculo)– Stephenie Meyer [ 6 ]
  7. The Shack – William P. Young [ 8 ]
  8. Glenn Beck’s Common Sense – Glenn Beck [ 7 ]
  9. Lucky One – Nicholas Sparks [ 14 ]
  10. The Girl with the Dragon Tattoo – Stieg Larsson [ 10 ]

Fonte: USA Today Top 150 Books – 23/08/2009

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A lista "Best-Selling Books" do USA Today é publicada toda quinta-feira, na versão impressa (TOP 50) e na versão online (TOP 150), com base em dados coletados em cerca de 7.000 pontos de venda que integram o mercado editorial norte-americano: livrarias, livrarias independentes, atacadistas e varejistas online. Para a contabilização não há diferenciação de versões das obras - capa-dura, edições especiais, etc - nem de gêneros, assim livros de ficção, não ficção, infantis e auto-ajuda integram o mesmo ranking [Fonte].

Livros mais vendidos – Veja 02/09

Lista desta semana dos livros mais vendidos segundo apuração da mais importante revista semanal do país.

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Ficção

  1. A Cabana – William Young [ 1 ]
  2. Amanhecer – Stephenie Meyer [ 2 ]
  3. Lua Nova – Stephenie Meyer [ 3 ]
  4. Eclipse – Stephenie Meyer [ 4 ]
  5. Crepúsculo – Stephenie Meyer [ 5 ]
  6. O Vendedor de Sonhos – Augusto Cury [ 6 ]
  7. O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos – Augusto Cury [ 7 ]
  8. O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini [ Re ]
  9. A Cidade do Sol – Khaled Hosseini [ 9 ]
  10. O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry [ Re ]

Não-Ficção

  1. Mentes Perigosas – Ana Beatriz Barbosa Silva [ 2 ]
  2. Comer, Rezar, Amar – Elizaneth Gilbert [ 1 ]
  3. O Clube do Filme – David Gilmour [ 3 ]
  4. Uma Breve História do Mundo – Geoffrey Blainey [ 4 ]
  5. O Andar do Bêbado – Leonard Mlodinow [ 5 ]
  6. Beber, Jogar, F.#er – Andrew Gottlieb [ 8 ]
  7. 1808 – Laurentino Gomes [ 6 ]
  8. Uma Breve História do Século XX Geoffrey Blainey [ 7 ]
  9. Revolução na Cozinha – Jamie Oliver [ 9 ]
  10. Marley & Eu – John Grogan [ 10 ]

Autoajuda e esoterismo

  1. Cartas entre Amigos – Fábio de Melo e Gabriel Chalita [ 1 ]
  2. Quem Roubou de Mim? – Fábio de Melo [ 2 ]
  3. O Código da Inteligência – Augusto Cury [ 4 ]
  4. O Monge e o Executivo – James Hunter [ 3 ]
  5. Por que os Homens Amam as Mulheres Poderosas? – Sherry Argov [ 5 ]
  6. Nunca Desista de Seus Sonhos – Augusto Cury [ 8 ]
  7. Confidencial – Constanza Pascolato [ 10 ]
  8. Encontre Deus na Cabana – Randal Rauser
  9. A Volta – Andrea Lenninger, Bruce Leininger e Ken Gross [ 6 ]
  10. Casais Inteligentes Enriquecem Juntos – Gustavo Cerbasi

Legenda: Posição. Título - Autor [Posição na semana anterior]

Fonte: Veja – Os Mais Vendidos 30/08/2009

Livros mais vendidos – Publisher’s Weekly 31/08

Lista dos livros mais vendidos - mass market paper - da publicação especializada americana.

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Top 10 - Bestsellers of Mass Market Paper

  1. The Brass Veredict – Michael Connely [ Novo ]
  2. The Quickie – James Patterson e Michael Ledwige [ 1 ]
  3. Dean Koontz’s Frankenstein: Dead and Alive – Dean Koontz [ 2 ]
  4. My Life in France – Julia Child [ 7 ]
  5. From Dead to Worse – Charlaine Harris [ 4 ]
  6. Dead Until Dark - Charlaine Harris [ 3 ]
  7. Club Dead - Charlaine Harris [ 5 ]
  8. Smoke Screen – Sandra Brown [ 6 ]
  9. The Bodies Left Behind – Jeffery Deaver [ Novo ]
  10. My Sister’s Keeper – Jodi Picoult [ 9 ]

Legenda: Posição. Título - Autor [Posição na semana anterior]

Fonte: Publisher’s Weekly Best Seller’s

Os jornais estão morrendo?

Muito se tem discutido acerca do futuro da mídia impressa com a rápida disseminação do acesso à internet, e consequentemente, a uma facilidade e rapidez exponencialmente maiores do acesso à informação grátis. Destaco o grátis pois, na internet, tudo o que é pago não tem graça ou não chamará tanta atenção - fator crucial num mercado atulhado de oferta de conteúdo, e onde se sobressair em meio a horda é fundamental para sobreviver.

Porém a batalha pelo usuário da informação não se limita ao ringue virtual. Há muito os sites de notícias competem por usuários com a mídia impressa, fato que ganhou proporções inimagináveis com a ascensão dos blogs dedicados à informação e o advento de fontes confiáveis, como o The Huffington Post
. Desde então se questiona se a mídia impressa - e principalmente os jornais, considerados por muitos como uma mídia morta - sobreviverá à esta revolução no acesso à informação.



No artigo The Daily Show publicado no Sunday Book Review do The New York Times na semana passada, Sir Harold Evans - editor do The Sunday Times of London de 1967 a 1981 e do The Times of London em 1981 e 82 - faz um review do livro Losing the News - The Future of the News That Feeds Democracy, de Alex Jones, que trata justamente do futuro dos jornais neste cenário - o da revolução da informação - e como podem reagir frente a um panorama nada animador.

Segundo Sir Evans, no livro de Jones, ele "destrói a noção de que notícias são definidas pela hora do dia (ou pela hora que acontecem" e diz que "o elemento mais importante no jornalismo [...] é a criação de uma nova consciência, proporcionada por meses de investigação, ou de uma implacável cobertura regular". Assim, a notícia nos jornais teriam de ser mais que apenas título e cabeçalho, como geralmente o são na internet, com pouca ou nenhuma profundidade; e teriam de ser embasadas por ampla e bem elaborada pesquisa.

E Jones continua ponderando, dizendo que "esse é o tipo de notícia que podemos perder. E justamente estas são as notícias que a geração da internet já abandonou". Atualmente, os usuários da informação prezam por rapidez e agilidade, não se importando, ou ao menos não se dando conta, do preço que poderá ter que arcar com notícias muitas vezes superficiais. Apesar de tudo, Jones ainda vê o jornal impresso vivo, como "o coração que pulsa nas comunidades, um meio quente e confortável, capaz de comandar uma audiência sustentável, assim como os livros têm feito, e no geral um produto de uma tecnologia subvalorizada, que é portátil, reciclável, de fácil leitura e barata" e também principal fonte de "comentaristas de rádio e tv, colunistas, escritores políticos e blogueiros" estimando que "85% das notícias baseadas em fatos provém de um jornal atento em pesquisar, gravar, explicar e investigar."

De acordo com Evans, "Jones pode ter algo de romântico, mas não é um reacionário." e sabe que o futuro é digital, um meio muito mais abrangente em sua inovação, além de ser o veículo escolhido pelo público mais jovem. Porém os sites não deverão se tornar um Atlas, pois segundo Jones "a cultura do jornalismo da web não suporta notícias detalhadas ou o jornalismo investigativo [...] Um artigo na internet com mais de 150 palavras é geralmente considerado muito longo e improvável de ser lido." Por outro lado, "como podemos esperar nos manter informados se teremos que nos contentar com todas as notícias que irão caber na tela de um celular?", ele questiona.

Jones duvida que empresas jornalísticas sem fins lucrativos podem preencher a brecha, e questiona a idéia de que os jornais possam obter receitas suficientes através dos sites. "Um híbrido de sucesso" ele argumenta "não pode ser criado a partir de duas culturas tão distintas. É como pedir para Sinatra cantar Blue Suede Shoes". No fim, ele fixa suas esperanças no desenvolvimento em separado de conteúdo on-line, com os donos dos grandes jornais baixando suas margens de lucro histórico e renunciando à estratégia de derrubar e queimar. Para Evans, ele tem razão: "destruir o valor editorial de um produto editorial é uma sandice." Sendo assim, formatar um conteúdo originalmente "de jornal" para que fique mais agradável a um leitor on-line seria a pior forma de se adequar à questão, pois o jornal perderia aquilo que talvez seja sua principal marca: sua qualidade editorial.


Evans conclui dizendo que "o que eu mais questiono é seu veredito [de Jones] acerca da realidade do potencial da web. Ela pode lidar muito bem com mais de 150 palavras, e os links podem abrir um panorama mundial de fontes multimídia. Eu amo os jornais, mas no final o que realmente importa é que não se estará salvando os jornais, como diz o próprio Jones, mas salvado a própria notícia."


Via NY Times.

Acabei de ler III – Mundo sem Fim

Faz um tempinho que não posto nada sobre o que venho lendo, mas tenho uma explicação – ou desculpa – bastante racional: só tenho lido livros técnicos, de contabilidade, então não seria, acreditem em mim, agradável falar deles aqui. Somente consegui tempo para a literatura agora, que estou de férias. Então vamos lá.

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Ken Follett para mim era um nome conhecido, sempre vi livros seus em livrarias, revistas, nas mãos de outras pessoas, mas nunca havia lido nada dele. A oportunidade surgiu quando vi uma promoção no submarino ofertando o Mundo sem Fim (World Without End, 2007) por R$ 9,90. Sei que não se deve fazer isso, mas um livro de mais de 900 páginas, de um escritor renomado, por esse preço é uma oferta tentadora, então comprei. É assim que se faz quando se junta a fome com a vontade de comer: queria ler um livro de Follett, estavam vendendo um a R$9,90.

Mas vamos ao livro.

Mundo sem Fim abrange um período de 34 anos: de 1º de novembro de 1327 à novembro de 1361, nas vidas de Caris Whooler, Merthin Fitzgerald, Ralph Fitzgerald e Gwenda Wighleigh – descendentes dos personagens do livro de maior sucesso do escritor, Os Pilares da Terra – que se conhecem durante a Feira do Velocino de 1327, e a partir de então têm suas vidas entrelaçadas depois de presenciarem uma perseguição a um cavaleiro. Os acontecimentos daquele ano, mais precisamente os ocorridos durante na Feira do Velocino, traça o futuro dos quatro, de forma trágica, tanto para a menina rica Caris Whooler, quanto para os filhos de um Lord em desgraça, Merthin e Ralph Fitzgerald.

O livro relata a vida em um dos maiores vilarejos da Inglaterra naquele tempo, Kingsbridge, em como a sociedade tinha de ser subserviente ao clero, aos nobres, assim como as mulheres aos homens. Não há justiça aparente, e quem se atreve a buscá-la sofre as consequências das sanções impostas por lordes rancorosos e padres sem escrúpulos.

Como sempre não entrarei em detalhes quanto à história, não quero fazer deste post um spoiler, o que comumente pode acontecer quando se fala de um livro ou de um filme. Passarei então a falar sobre o que achei do livro.

Não se pode negar que seja cativante, pois é. Acompanhar a vida dos quatro personagens principais e as transformações pelas quais passam ao longo da narrativa é fascinante, uma luta é desbravada a cada momento, e existem inimigos muitas vezes maiores que os próprios personagens, nas figuras mais improváveis, como o próprio orgulho, o medo, um pai, um tio ou as injustas leis. A vida não é fácil na Inglaterra do século XIV.

Por falar na narrativa, uma coisa que me incomodou um pouco foi o realismo, não sei se esse é o estilo de Follett, mas creio que nada se acrescenta num livro ao se descrever cenas de nudez ou sexo claramente e com um vocabulário um tanto quanto franco. Não era o que eu esperava encontrar num romance histórico, mas o fato me fez lembrar de um livro de Raymond Chandler – não me lembro o título no momento – onde Philip Marlowe cuidava de um escritor de romances históricos classificado por ele como baratos, daqueles com milhares de páginas, cenas de sexo explícito e vendidos a um preço baixo. Sinto muito Follett, seu livro se encaixa na descrição, apesar de eu ter gostado da obra como um todo.

Mundo sem fim me agradou no final das contas. Como já disse, acompanhar o desenrolar da vida dos personagens é agradável, apesar de as coisas nem sempre estarem agradáveis para eles, e as constantes reviravoltas trazem emoção à narrativa.

Gostei de Follett, mas não sinto ânsia para ler mais alguma coisa dele não.

A incrível arte de se comprar um livro, ou quase

Semana retrasada vi um teste no Esterança que prometia indicar qual livro a pessoa era. Fiz o teste, como contei aqui, e o resultado dizia que eu era A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector. Nunca li "A Paixão", fiquei curioso em conhecer um livro que me é, ou que eu sou, ou raios que o sejam, ainda mais porque, no resultado do teste, minha personalidade foi descrita quase que com exatidão.




Na primeira oportunidade de ir a uma livraria, leia-se "na primeira vez que fui a Presidente Prudente", aproveitei para comprar um exemplar, ou melhor, tentar. Como bom leitor preferi procurar o livro sozinho, dispensando a atendente. Gosto de perambular pelas prateleiras, às vezes você até encontra algo interessante que nem sabia que existia, e é uma forma saudável de gastar o tempo até dar o horário do ônibus. Pois bem, de Clarice Lispector só encontrei um exemplar surrado, com as páginas amarelecidas de A Hora da Estrela. Nada mais.

Com o tempo esgotando chamei a atendente e lhe perguntei se não tinham um exemplar de "A Paixão", ela fez cara de pensativa, como se estivesse buscando no fundo da alma não se tinham o livro, mas se conhecia o livro, até que respondeu, com uma expressão mortificada, que não. Perguntei então se não tinham alguma coisa da Clarice Lispector, ela me olhou, parou, pensou, e disse não. Nem A Hora da Estrela, eu perguntei, e ela, mais uma vez, disse não. Mas, apressou-se em dizer, temos o Lua Nova, da Stephenie Meyer.


Gota d'água.

Talvez ela tenha achado que era um substituto à altura, talvez tenha apenas pensado em fazer a venda de um livro que tem um hype gigantesco, e ocupa, sozinho, toda uma prateleira por aqui. Não sei.


Sempre tive a convicção, e o episódio só a fez aumentar, de que quem trabalha em livraria obrigatoriamente tem que gostar de livros, de ler, e conhecê-los. Ao menos por aqui os donos de livraria utilizam um critério estranho para admissão de estagiários: eles têm de estar cursando o curso de letras. Como se cursar letras fizesse do cara um amante da leitura, e, pior, fosse um atestado inegável disso.

Não estou julgando a qualidade de Lua Nova, ainda não li nehum livro da série - mas pretendo fazê-lo - só estou dizendo que foi uma sugestão inusitada frente ao livro que estava procurando. Como diria minha professora de cultura brasileira, a alienação cultural só tem aumentado com a globalização, e tende a piorar.

Mas não desisti de A Paixão Segundo GH. Ainda terei a oportunidade de ler o livro que me é, ou que eu sou ou sejá lá o que ele for.

Que livro você é?

Vi esse teste no blog da Ester, o Esterança, e fiquei curioso. É um teste rápido e simples, basta ir clicando nas opções de resposta e esperar a página carregar com a nova pergunta. Se você ignorar o fato de que uma das respostas de uma questão pode te levar a afirmar que "Você vive bem no hoje, mas tem um pézinho no tempo em que as mulheres usavam espartilho e eram cortejadas" tudo fica ainda mais simples.

Gostei do meu resultado, ao menos ele chegou bem perto de me descrever com exatidão. Segundo o teste se eu fosse um livro eu seria A Paixão Segundo GH, de Clarice Lispector, pois,




Você [no caso, eu] é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender. Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.


Clique aqui caso queira fazer o teste.

Blogagem Coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato

Recebi ontem o convite da Vanessa, do Fio de Ariadne, para participar de uma blogagem coletiva cujo o tema é:


A ideia é que, em comemoração ao Dia Nacional do Livro do Livro Infantil, se fale como ou o que fez de você um leitor, quem foram os seus incentivadores, e quem ou o que o motivou para que construísse o hábito da leitura.

Dessa vez a blogagem conta com o apoio da Jorge Zahar Editor, que presenteará os melhores posts com alguns de seus lançamentos. Saiba como no post do Fio de Ariadne.

Se deseja participar, é só

Inscrever seu blog deixando um comentário neste post, leve o selo do evento do seu blog e publique, dia 18 de abril, um texto que conte como foi seu primeiro contato com o mundo das letras. Quem foi seu Monteiro Lobato? Quem incentivou você a ler? Mas, atenção, só concorrerão os textos publicados no dia 18 de abril.

Ah, e não se esqueça da blogagem sobre o filme da sua vida, que acontece nos dias 29 e 30 de abril, como você vê aqui.

Clássicos que ainda não li I - A Montanha Mágica

Hoje começo uma série de postagens sobre grandes clássicos da literatura mundial que ainda não li. Resolvi fazê-lo depois de participar da blogagem coletiva O Livro da Minha Vida, proposta pela Vanessa, do blog Fio de Ariadne, que me fez ver, passando pelos posts dos outros participantes da blogagem, como estou em dívida com os grandes mestres. Pra começar optei por A Montanha Mágica, que foi o livro da vida do Vinícius, do Molho Vinagrete.

A Montanha Mágica (Der Zauberg) foi escrita por Thomas Mann em 1924 e é um dos romances mais influentes da literatura alemã do século XX.

Mann começou a escrevê-lo em 1912, ano em que sua esposa, Katharina Mann, foi internada num sanatório em Davos, Suiça, para tratamento de uma tuberculose. Acredita-se que este fato tenha servido de inspiração a Mann para compor A Montanha Mágica. Em 1915, Mann interrompeu a redação da obra por ainda não ter em mente que rumo dar à mesma (muitos se referem à Montanha Mágica como "o livro sem enredo") voltando aos trabalhos em 1919, concluindo-o em 1924.

O livro narra a história do jovem engenheiro Hans Castorp, em visita ao primo Joachim Ziemssen num sanatório destinado a doenças respiratórios, em Davos, onde este estava a se tratar de tuberculose, e também para aquele cuidar de uma anemia. No entanto, com o passar dos tempos, Hans dá sinais de que também tem tuberculose, o que estende sua visita ao sanatório, onde se desliga do mundo, do tempo, da carreira, da família, sentindo-se atraído pela doença, pela introspecção e pela morte, ao mesmo tempo em que amadurecem suas idéias sobre diversos pontos, tais quais, a política, filosofia, religião, entre outros.

A obra segue a tendência do romance alemão chamado de Bildungsroman, onde narra-se de forma pormenorizada o desenvolvimento físico, moral, estético e psicológico do personagem desde sua infância (ou adolescência) até a maturidade, diversas personagens do livro são construídos seguindo esta tendência, e representam pensamentos e idéias predominantes na Europa pouco antes da 1ª Guerra Mundial.

Considerada uma das obras primas do romance do século XX, e fator decisivo para que Mann ganhasse o Nobel de Literatura em 1929, "A montanha mágica é, na verdade, o mais completo retrato de uma vida à procura de um sentido que a explique e justifique. Nada existe em si e por si mesmo; o mínimo gesto individual se conjuga a uma infinidade de ações e reações cuja exata medida é o próprio universo humano que o motiva, o recebe e o transforma. A salvação do homem só se faz quando, mesmo (ou sobretudo) frente ao poder da morte, todos os seus atos se condicionam à busca da liberdade."

"O que devo eu então dizer sobre o próprio livro (Montanha Mágica) e ainda por cima, como deve ser lido? O começo é uma exigência muito arrogante, a dizer que se deva lê-lo duas vezes. É claro que essa exigência é retirada imediatamente para o caso de que na primeira vez se tenha ficado entediado. A arte não deve ser nenhum trabalho escolar nem dificuldade, nenhuma ocupação contre coeur, mas sim deve alegrar, entreter e animar e aquele sobre o qual uma obra não exerce esse efeito então este deve deixar a obra de lado e voltar-se para outra. Mas quem chegou uma vez até o final com a “Montanha Mágica” então eu aconselho a lê-la mais uma vez, pois seu feitio particular, seu caráter como composição traz consigo que o prazer do leitor aumentará e se aprofundará da segunda vez, - como se deve já conhecer uma música para poder gozá-la de acordo."

Thomas Mann